
O óleo de semente de abóbora é composto quase inteiramente por gordura. A sua qualidade culinária não depende apenas da quantidade de gordura, mas sobretudo dos ácidos gordos que a formam. As ligações químicas dessas moléculas ajudam a explicar por que o óleo se mantém líquido, por que é sensível ao calor e por que resulta tão bem como toque final em pratos frios ou já preparados.
Os ácidos gordos podem ser saturados, monoinsaturados ou poli-insaturados. Os saturados não têm ligações duplas; os monoinsaturados têm uma; os poli-insaturados têm duas ou mais. Quanto maior for o número de ligações duplas, maior tende a ser a reatividade perante oxigénio, luz e calor. Não se trata de uma classificação entre «bons» e «maus»: cada família contribui de forma diferente para a textura, conservação e composição nutricional de um alimento.

No óleo de semente de abóbora, os ácidos gordos poli-insaturados representam habitualmente cerca de 60 a 75% do total. A maior parte é ácido linoleico, um ácido gordo ómega-6. A proporção exata varia com a variedade de abóbora, a colheita e o método de produção. Há também uma quantidade pequena de ácido alfa-linolénico, da família ómega-3, geralmente inferior a 1%.
Esta composição dá ao óleo um perfil próprio, mas também pede cuidado. Os poli-insaturados oxidam mais depressa quando ficam expostos a ar, luz ou temperaturas elevadas. Por isso, uma garrafa bem fechada, guardada ao abrigo da luz e usada num prazo razoável preserva melhor o aroma. O artigo sobre o ácido linoleico explica esta fração com mais detalhe.
O ácido oleico, um ácido gordo ómega-9 conhecido também por ser abundante no azeite, constitui em geral 20 a 35% dos ácidos gordos do óleo de semente de abóbora. É mais estável do que o ácido linoleico e contribui para a sensação macia e ligeiramente viscosa do óleo. Ainda assim, a sua presença não transforma este produto num óleo adequado para fritar: a fração poli-insaturada continua a dominar.
Em estudos sobre alimentação, o ácido oleico é frequentemente associado a padrões alimentares considerados favoráveis à saúde cardiovascular. Essas associações dizem respeito ao conjunto da dieta e não constituem um efeito terapêutico de uma colher de um óleo isolado.

Os ácidos gordos saturados representam normalmente cerca de 15 a 20%. O ácido palmítico e o ácido esteárico são os principais. Esta parcela contribui para a estrutura do óleo, mas não é a sua característica dominante, nem do ponto de vista do sabor nem do uso culinário.
Uma composição rica em poli-insaturados torna o óleo pouco indicado para cozinhar a altas temperaturas. O calor acelera a degradação e diminui o aroma característico. O uso mais adequado é simples: junte-o no fim, em saladas, legumes, sopas já servidas, queijo fresco ou sobremesas. Assim, o sabor tostado e a noz ficam em primeiro plano.
A torrefação tradicional das sementes antes da prensagem altera sobretudo aromas, pigmentos e alguns compostos sensíveis ao calor. Os ácidos gordos principais mantêm-se, em linhas gerais, semelhantes aos de uma versão não torrada. Veja também a comparação entre óleo prensado a frio e óleo torrado.
O óleo de semente de abóbora tem mais poli-insaturados do que o azeite, mas menos ómega-3 do que o óleo de linhaça. É uma escolha complementar numa alimentação variada, valorizada sobretudo pelo sabor intenso e pela sua identidade regional. Para conhecer os restantes componentes, consulte o artigo sobre os ingredientes do óleo.