
O óleo de semente de abóbora da Estíria não apareceu de um dia para o outro. A sua história começa com uma planta vinda das Américas, passa por uma mutação botânica feliz e ganha força graças ao saber de agricultores e lagares locais. Ao longo de séculos, um produto de uso doméstico transformou-se num dos sabores mais reconhecíveis da Áustria.
A espécie Cucurbita pepo, que inclui abóboras de campo, curgetes e abóboras oleaginosas, é originária das Américas. Foi levada para a Europa no século XVI, no grande intercâmbio de plantas que se seguiu ao contacto entre continentes. Os frutos eram fáceis de cultivar, podiam ser guardados durante algum tempo e ofereciam polpa e sementes comestíveis.
Nas primeiras fases, as abóboras europeias tinham sementes com uma casca branca e dura. Era possível obter algum óleo, mas a extração exigia mais trabalho e dava pouco retorno. Faltava ainda a variedade que iria tornar a prensagem realmente interessante para os agricultores da Estíria.

Em algum momento entre os séculos XVII e XVIII, surgiu uma mutação que produzia sementes sem a cobertura exterior dura. Não se conhece o dia exato nem a primeira parcela onde aconteceu. O que se sabe é que os agricultores reconheceram depressa a sua utilidade: essas sementes eram mais fáceis de consumir, tratar e prensar.
Ao guardar as sementes destas plantas para o ano seguinte, os agricultores foram consolidando o traço. A descrição científica formal da variedade Cucurbita pepo var. styriaca chegou mais tarde, no século XIX, quando a prática já estava bem enraizada. A ciência deu um nome àquilo que a experiência rural tinha desenvolvido durante gerações.
No século XIX, a prensagem de sementes de abóbora tinha-se tornado uma parte importante da economia agrícola estíria. Existiam pequenos lagares, os Ölmühlen, em muitas localidades. Alguns pertenciam a quintas; outros recebiam sementes de vários agricultores da zona. A moagem, a torrefação e a prensagem eram trabalhos sazonais, ligados ao calendário da colheita.
O óleo era usado todos os dias: em saladas, sopas, pão, pratos de batata e massas simples. Não era ainda um produto de luxo nem um ingrediente de exportação. Era uma gordura local de sabor forte, integrada nos hábitos da região. O que hoje parece especial era, então, uma presença normal na despensa e na mesa.

Durante o século XX, os lagares ganharam equipamento mais eficiente. Motores elétricos, máquinas de limpeza e secagem, prensas melhoradas e processos mais controlados permitiram aumentar a produção e tornar o trabalho menos pesado. Alguns negócios cresceram; outros conservaram uma escala familiar e artesanal.
A modernização não apagou a técnica tradicional. A pasta de sementes continuou a ser moída, torrada e prensada segundo princípios conhecidos há muito tempo. O desafio passou a ser combinar higiene, controlo e regularidade com o sabor que os clientes reconheciam como autenticamente estírio.
Com o aumento do interesse pelo produto, também surgiram imitações, misturas e garrafas cuja imagem evocava a Estíria sem corresponder ao mesmo padrão. Produtores, associações e entidades regionais perceberam que era preciso defender a reputação construída durante tanto tempo.
Depois da entrada da Áustria na União Europeia, o óleo de semente de abóbora da Estíria foi registado como indicação geográfica protegida. A certificação fixa regras sobre a variedade de semente, a zona de cultivo e a produção. Não é apenas um elemento decorativo do rótulo: é uma forma de assegurar que o nome está ligado a uma origem verificável. Conheça melhor a IGP do óleo estírio.
Atualmente, o óleo de semente de abóbora é um símbolo gastronómico da Estíria. Aparece em restaurantes, feiras, visitas a produtores e cozinhas domésticas. A cor escura sobre uma sopa clara ou um gelado de baunilha tornou-se uma imagem reconhecível, tal como o seu aroma a noz torrada.
A procura internacional trouxe novas oportunidades, mas também torna a clareza importante. Um óleo genuíno depende de sementes, colheita, trabalho de lagar e rastreabilidade. Saber esta história ajuda a compreender por que o produto não é apenas «óleo de abóbora»: transporta uma tradição agrícola viva, mantida por pessoas e lugares concretos.
O futuro deste óleo passa por preservar o que lhe dá valor: cultivo cuidadoso, transparência e capacidade de adaptação. Os produtores enfrentam desafios como o clima, as doenças das plantas e a concorrência de produtos mais baratos. Ao mesmo tempo, contam com consumidores que valorizam a origem e querem saber de onde vem o que compram.
Para descobrir a planta que está na origem desta história, visite a abóbora oleaginosa da Estíria. Para escolher com mais segurança, leia também como verificar a qualidade do óleo.